Coluna Pela Noite a Dentro - Só mais uma cliente
Só mais uma cliente
Observou quando ela chegou meio tropeçando, indiscutivelmente bêbada. Deveria ser a quarta ou quinta semana em que aparecia na casa, chegava com os amigos. Eles se arrumavam, beijavam na boca. Ela dançava, flertava, curtia com o álcool. Achou um desperdício.
- e aí vocês tem long neck? No outro bar não tem mais... – a língua se atrapalhando entre os dentes.
- não, baby, aqui só temos bebidas quentes. – ele não pode deixar de sorrir. Ela era linda, dessas belezas que explodem na sua cara, que agridem. Se a encontrasse na rua, jamais sequer teria coragem de olhá-la nos olhos. Mas ela estava com o maior sorriso que ele jamais vira num rosto bêbado. Sentada feio homem no banco do bar dele, com os cotovelos no balcão do bar dele, e os seios quase pulando fora do decote na frente dele. Era ele quem deveria servir ali. Mas estava sendo muito bem servido, de uma visão maravilhosa.
- o que tem de mais quente aí? – ela falava e sorria, como se sugerisse que ele poderia ser todo o calor que procurava. Não, ele não cairia na armadilha mais velha e mais canalha de todas as bêbadas que sentavam naqueles bancos. Poderia estar de sunga, poderia estar ali pronto para ser apreciado pelos freqüentadores do bar, mas era só isso, era apenas o barman, não o prostituto que se vendia por um olhar mais quente. Pensava isso limpando os copos atrás do balcão, mas o corpo já respondia a ela de outra maneira, arrepiado, um arrepio que não era de pelos.
- de mais forte, eu tenho tequila. Quer? – queria saber até onde ia a coragem dela, embora, soubesse que bêbados tem sempre mais coragem do que os sóbrios. Aquilo ele poderia comprovar nos seus anos de experiência atrás do balcão.
- Nunca provei – saliva se soltando pelos lábios, umedecendo ainda mais a boca provocante.
O outro atendente se aproximou para ver no que ia dar. Não raro eles testavam a resistência dos bêbados com doses de tequilas. Invariavelmente riam bastante. O que de certa forma não o agradou. Ele não queria testemunhas nem para o que estava sentindo nem para o que queria fazer. Na verdade, não era certo que ninguém sequer soubesse o que tinha vontade de fazer embora o corpo dele gritasse seus desejos a qualquer olho mais atento.
Ela o olhou no fundo dos olhos, sabia que estava ferrado, soube no momento em que contou as semanas que a via bêbada. – o que eu ganho se beber a tequila? – o que ele poderia oferecer? Estava em seu horário de trabalho, tomando conta do balcão o que poderia oferecer?
- do jeito que você está um pouco mais de álcool e nem vai conseguir se manter em pé – ele sorria pro colega ao lado – o que você acha?
- Acho que ela ta dizendo que encara numa boa uma dose de tequila, não encara? – merda tinha esquecido a péssima mania do amigo de colocar palha na brasa incandescente. Mas ele não queria, não queria fazer parte daquilo, fazer parte da turma que a faria de palhaça, que a veria desmaiar ou cambalear mais ainda. Ele queria ser olhado daquele jeito, mas por olhos sóbrios, não enevoados, queria mais.
Mas no que ele estava pensando? Que loucura era essa de achar que poderia ter mais dela, do que olhares lascivos bêbados num bar. Droga. – é se você aguentar a tequila. Melhor, melhor mesmo provoca-la o suficiente para vê-la ir embora cuspir a bebida que ele sabia não fazer parte do cardápio dela.
- ok, vê a dose aí, mas me ensina como bebe essa merda, é muito ruim? – o que ele estava fazendo? Onde estava se metendo? Respirou fundo, já que tinha chegado perto demais do fogo, era melhor incendiar de vez.
- já decidiu qual vai ser seu prêmio? - era isso que ele queria, queria tocar, cheirar, beijar ainda que estivesse bêbada, ainda que estivesse prestes a esquecer tudo que ia acontecer ali, a vontade de provar dela, era maior que tudo.
Algo brilhou no fundo dos olhos dela, uma espécie de lucidez, um fogo maior que a bebedeira, ofuscou sua visão e desceu pelo corpo seminu. Ele exultou, ela não estava assim tão sem noção. Um frio, um misto de outras manifestações químico-corporais se alojou nas virilhas. Estava definitivamente encrencado.
- Aqui: o sal, o limão, a dose. Lambe o sal, bebe, chupa o limão, simples assim. – Lambe, bebe, chupa... por que ele tinha escolhido essas palavras? Por que ele não tinha usado outras, mas agora queria, precisava que ela bebesse. A urgência que tinha tomado conta dos seus desejos não permitia sequer um desvio de atenção, não saberia nem como fazer para atender qualquer que fosse o desejo no olhar dela. Mas precisava de uma prova de que ela realmente faria tudo para ter o que pedia.
E ela provou, lambeu o sal como se fosse ele, virou o copo, e chupou o limão com uma careta deliciosa... mas ele percebeu que algo tinha desviado. Quando ela baixou a cabeça pra cuspir ... o ato de baixar a cabeça, quase a derrubou, pulou o balcão, a segurou nos braços
- aguenta chegar no banheiro, aguenta - ele sussurrava no ouvido dela, ele sabia, ela já tinha ultrapassado da cota, merda, ele sabia, ele sabia... quase derrubou a porta do banheiro, quase gritou com quem estava lá dentro para sair, bateu a porta, a sentou na pia, o chão estava imundo, não poderia ... foi quando sentiu as mãos e os suspiros que ela soltava a cada roçar de toque nos músculos do peito alcançando o pescoço
- eu bebi, ela disse meio molemente, agora quero minha recompensa, ela sorriu, o olhar e o ar no rosto ainda engraçadamente bêbado, mas ainda deliciosamente sacana.
E foi a vez dele de beber a pele, sentir o sal do suor com a língua, no decote. De segurar as nádegas dela sem nenhuma vergonha, quase desfaleceu quando ela o trouxe para ainda mais perto com as pernas. Uma voracidade nascida das semanas em que admirava aquelas curvas, sem poder tocar. Um desejo desesperado fez o homem nele procurar o calor do corpo dela, odiou o fato de estar ali todo exposto e ela ainda toda escondida sob a roupa, ainda que a calça fosse apertada que desse para ver, ele agora queria tocar, tocar a pele, tocar o corpo, roçava-se nela como se isso por si só, pudesse furar o tecido e fazer os corpos se encontrarem de verdade. E ela o fazia se sentir ainda mais desejado o corpo se contorcendo para oferecer os seios, as pernas apertando a cintura como a pedir, como a querer.
Não teve escrúpulos de procurar o fecho da calça dela, enfiou a mão e sentiu o suspiro, enquanto ela se espremia ainda mais contra ele, e aí foi a vez dele suspirar fundo ao ouvi-la pedir: - eu bebi aquela porcaria eu quero você todo. Mas ela não esperou resposta ao buscar o membro ereto, sentir o calor, o tamanho e acaricia-lo com força. Ele agora estava perdido nas sensações embriagantes, só tomou conhecimento do preservativo que ela tinha na outra mão, quando ela bateu com força o envelope no seu peito. Sim, ela estava preparada.
Afastou-se, mas ela o agarrou, e fez questão de vesti-lo ela mesma. Enquanto ele já se perguntava o que faria com a calça. Saiu beijando o pescoço e descendo a calça, a maldita calça, que mostrava, mas que não o deixa acessar o local onde ele queria estar, a solução ela mesma apresentou. Desceu da pia e virou de costas para ele, rebolando até ele deixar a calça no meio das coxas, apoiou-se na pia. A visão do corpo dela meio inclinado oferecendo-se a ele o deixou maluco, sem nem pensar meteu-se inteiro nela, segurou-a pelo quadril para ir mais fundo, quase desequilibrou quando ela tomou uma das mãos e a colocou de volta no ponto em que ela desejava ser tocada.
Era o inferno, o local, mais quente, mais suculento, mais agoniante. Era um prazer visual, tátil, orgásmico, que ele vivia enquanto saia e entrava no corpo dela, e sentia ela mover-se no membro dele, adorando o gingado. Não resistiu mais, quando percebeu que ela se largara no peito dele, e ouviu as batidas na porta do banheiro, também apressou as investidas, embora, se pudesse... mas não podia, soltou o gozo intenso.
As batidas na porta continuavam e agora mais fortes, limpou-se, arrumou-se, ela também, já se punha em ordem. Sorriu, beijo-lhe de leve a boca. Voltou pro balcão. Não a viu ir embora, não sabia se ela voltaria em outra noite. Não pensou em nada. Até reviver tudo de novo sozinho no quarto e gozou mais uma vez, só de pensar nela.



